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8 de out. de 2011

Fugir

Vamos. Logo ali virando aquela esquina existem mistérios que nem as estrelas conseguem enxergar. Vamos. Somos só nós, caminhando de mãos dadas pelas ruas escuras e de sombras sinistras de um futuro louco. Se algo pode nos acontecer? Quem se importa, quando tudo o que nos resta é viver? Já fui pensamentos demais quando tudo que eu devia ter feito era ser. Agora que a necessidade de pensar me toma e me cerca, vejo a oportunidade perfeita de ser em exagero. Vamos. O tempo que passa está logo ali, esperando o momento exato de parar. Eu só preciso de você. Vamos. Desculpa se tudo que eu tenho agora é uma vontade azeda de me libertar. Sempre achei que quando o momento de bater asas fosse chegar o sabor seria um punhado agridoce de desejo e arrepios. Erro meu. Eu e essa minha mania estúpida de me subestimar. Vamos. Não temos nada a perder senão o suor e cada respiração que uma vez postos para fora são irrecuperáveis. Vamos. E sugiro que não falemos absolutamente nada. 

Então vou indo e você pode me seguir com mais cautela, se o medo lhe tomar as batidas do coração. Meu convite já lhe foi feito. Vamos?
3 de mar. de 2011

Pertenço aqui, mas sou de lá

O tempo ocupa o corpo. Pior. Distorce a alma em realismo urgente e objetivo, confundindo os sentidos, fazendo dos desejos uma massa desesperada de pressa em realização.

Nunca estive tão urgente como agora estou, ligada ao piloto automático e presa em mim mesma sob horas já desconhecidas. E assim vou, sempre sorrindo e acenando sem sequer saber qual o motivo de tanta euforia alheia, tanta importância desnecessária, tanta preocupação falsa, de tantos medos rasos... A verdade é que me sinto sendo levada por uma onda de perguntas, que parecem me direcionar cada vez mais para um lugar que jurei jamais habitar.

Por vezes, faço parte da inocência. Sempre fui acalmada pelo som doce que ela tem ao tocar meu ouvidos e olhos, sob os meus ideais lunáticos, vistos de um mundo mais louco ainda. Mas a Ismália bem sabia, da dor de se querer demais, de como se é frustrante querer e pertencer a dois mundos tão paralelos e distantes entre si.

Assim, pertenço aqui, mas sou de lá. E o aqui é forte, insistente... Vem me chamando pelo nome, então eu vou e minto. A questão é: para mim mesma ou para ele?
6 de nov. de 2010

(não) Tão dona de mim

Uma calma me acalenta o coração me deixando quase apática. Eu sempre tão dona de mim, nunca achei que o dia em que meu peito levantaria bandeira branca chegaria. Mas sim, chegou em um forma não minha - lê-se sem emoção - me abatendo e me abafando com peneiras. Ainda consigo respirar, vide a grandes brechas que meus olhos, vez ou outra, encontram e não me sinto retida, apenas estou em descanso.

Estou envolta de cores amenas e cheiros leves. Os toques nunca foram tão macios e o ar nunca foi tão aconchegante. A grande questão é que não está sendo fácil ficar assim tão no ar e ir vivendo a vida de um jeito tão "presente". Estou acostumada a buscar fundo por recompensas, a me debruçar sobre possíveis amores, a gritar de felicidade, a soltar trovões de raiva, a chorar oceanos e a sofrer durante tempestades imensas. Agora, simplesmente, não há. Nada. Há apenas eu e as nuvens que flutuam sob os meus pés.

Chega a ser doloroso. Acredite. Não falo apenas de um descontentamento banal e mal agradecido. É pior e mais complexo do que isso. Começo a questionar se isso significa alguma transformação que não consigo enxergar.

Na verdade, tenho medo de descobrir que quem eu sempre fui, não é quem eu sou ou que o que sinto agora, seja apenas uma parte misteriosa e fugaz do que eu ainda estou para sentir.
14 de out. de 2010

Foi-se. Com satisfação

Então chegou e foi-se como um assopro qualquer, partido de uma boca muito menos importante. Custei a acreditar nessa verdade crua que os meus olhos não queriam enxergar. Pobres olhos. Viram tanto que estão secos, porque uma lágrima sequer derramei. A verdade mesmo é que cansei de procurar problemas em soluções, ter dúvida de como andar em linha reta, acreditar em fábulas baratas, estar contra mim o tempo todo.

Sei que doeu te ver entrar naquela sala gelada indo sentar ao lado dela. Sei tambem que satisfez te ver me olhar com aquele ar de admiração, por assim dizer, fazendo isso bem ao lado dela. Mas a verdade mesmo, é que eu sou maior que isso. Acredite. Hoje sou mais forte. Não melhor, apenas forte. Percebi que nem de longe, você se parece com a moldura perfeita que eu criei para você e que os seus valores são os seus piores defeitos, e Ele sabe bem os motivos de eu dizer isso.

A verdade mesmo é que dessa vez eu acordei no meio da noite, não para bancar a garota fraca e sonhadora, porque agora, exatamente às 1:49 da manhã, eu sou a mais bem resolvida e com o orgulho mais inflado de todos os lugares iluminados por estrelas. Por mais que machuque, de todos os arrependimentos que eu já tive, o de não ter me entregado a você foi o que mais me satisfez. Sei que agora parece fácil e, de certa forma, até rude dizer isso, mas naquele momento eu era pura inquietude. Apenas migalhas de uma garota que a madrugada tratou de endurecer. Eu não estava completa.

Pode até ser que isso dure apenas mais alguns minutos e amanhã eu volte a esse meu eu tímido. Pode até ser que seja apenas mais um devaneio meu. A verdade mesmo, é que bem agora, eu estou seguindo sem olhar para trás. E essa vontade é só minha e de mais ninguem.
15 de set. de 2010

Furtivo

O ambiente estava adequadamente climatizado, apesar da leve sensação de frio que causava sobre sua pele fina. Ela parecia totalmente perdida dentro de si, não de uma forma vazia ou sem sentido, mas como se estivesse dentro dos seus próprios desejos e aspirações. Ao contrário do que possa estar pensando, não estou falando de um espaço glamouroso, nem nada do tipo, refiro-me apenas a uma imensa livraria que fica na esquina de sua rua. Sei que pode parecer patético, mas para aquela garota ser abraçada por milhares de livros e suas mais diversas histórias, era a coisa mas reconfortante que ela poderia querer para si.

Saindo um pouco do seu estado perdido, ela reparou em um garoto alto, com um corpo muito bem feito e proporcional, seu olhos castanhos fazendo um contraste lindo com a sua pele clara de cabelos loiros. Ele parecia estar olhando todos aqueles livros com um certo interesse que fazia seus olhos brilharem, tanto quanto os dela faziam ao encontrar o título de um belo romance. Pelo que me parece ele havia percebido a sua presença ali primeiro, já que se concentrou em ler cada título da estante em que ela estava, lhe lançando olhares doces e furtivos.

Aquilo, agora, era tudo o que ela poderia querer. Um amor escapando das linhas dos livros, em uma maravilhosa e lustrosa livraria, inundada com um cheirinho de café capaz de deixar tudo mais especial.

O celular toca. Ele atende. Parece não estar muito certo do que está ouvindo e do que, de fato, quer fazer. Contudo ao final parece ser convencido pela pessoa do outro lado da linha, julgando pelo sorriso torto que dá, como se tivesse sido vencido por alguma proposta irrecusável. Então ele sai da loja, lhe dando um último olhar, deixando aquela garota ser abraçada por milhares de livros e suas mais diversas histórias. Aquilo, agora, era a coisa mas reconfortante que ela poderia querer para si.
17 de ago. de 2010

O suficiente para ser

Com sua roupa mais velha e o seu cabelo mais bagunçado, ele sentou-se sobre os degraus solitários daquela velha casa na qual vivia e pegou o seu livro, que por alguns meses havia estado escondido dentro de uma fenda do chão de madeira, já gasto da sua varanda. Este tinha uma capa preta meio surrada, caligrafada com algumas letras douradas, que o tempo se encarregou de borrar e deixa-las ilegíveis.

Durante algum tempo permaneceu sentado, imóvel, contemplando o seu livro fechado. Ao julgar pelo vazio dos seus olhos, acredito que lembranças estavam sendo recordadas e postas em um presente que ele próprio parecia não fazer parte, renega-se talvez. Ou quem sabe, só estava ali olhando para o nada, o que é bem provável, já que eu o havia pego diversas vezes assim. Finalmente resolveu o abrir e para meu espanto as páginas estavam todas em branco. Segurei um suspiro abafado para que ele não desconfiasse da minha presença ali, quase que sem propósito nenhum, apoiada em um cerca e com um livro na mão. Hão de concordar, portanto, com o meu desapontamento e o gasto desnecessário da minha atenção em algo tão sem sentido. Eu poderia ter avançado mais um capítulo de Clara dos Anjos, mas ao contrário disso, decidi observar um velho coitado folheando incessantimente seu livro vazio.

Em um impulso desnecessário, e um interesse fora do normal em algo que não era da minha conta, levantei-me - sem me preocupar o quão sujo estava o meu vestido floral - e fui decida e pronta para perguntar qual era o problema daquele cara e o que ele achava que estava lendo em um livro em branco. Eu me coloquei de pé na sua frente e quando estava abrindo a minha boca para começar o meu falatório, ele levantou seu olhar, me olhou nos olhos e disse:

- Engraçado como depois de 50 anos de vida, não consegui escrever uma única só palavra sobre mim. Mais estranho que isso, é o fato deprimente e algumas vezes consolador de que não sou o único. - pausou enquanto eu sentava ao seu lado. - Se eu te perguntasse qual foi o dia mais feliz da sua vida, será que você me responderia algo suficientimente maravilhoso e satisfatório? Algo que não precisasse se comparado com os seus dias mais tristes para se tornar algo especial? Pois é, é como eu sempre digo: Não importa o quanto você faça e viva, tudo nunca é o suficiente.
6 de ago. de 2010

Enquanto tudo é o que é

Respiro, levanto e sorrio o mais doce sorriso que me ponho em face. Se o que vivo agora se chama presente, há de haver alguma surpresa a ser tirada daqui. Isso é tudo o que me sobra, afinal, já que o futuro exala mistério e o passado aspira lembranças que não voltam mais.

"É difícil dizer que eu prefiro ficar acordado
quando estou dormindo.
Porque tudo nunca é como parece ser."
[Fireflies - Owl City]
5 de ago. de 2010

Depois da meia-noite

Era uma camada de pura magia a que os envolvia. Límpida, insípida e incolor. Como água, era desse elemento que era feito seu amor. Apesar de por anos, ela ter acreditado que o romance lhe cairia do céu, ele enfim brotou rasteiro, do fundo da terra, tomando terreno e transbordando sobre os poros de cada grão.

O mundo era deveras maldito diante do sintilar que seus toques produziam à céu aberto. Eu poderia ouvir de longe as músicas ambientes que brotavam dos sorrisos daquela menina, e não negaria sequer por um minuto a inveja - por mais pura que fosse - daquela dupla de almas cruzadas. Eles eram pura borbulha de contentamento descontente, e estavam trancafiados dentro de um universo tão íntimo e particular... Eles eram de si próprios e de mais ninguém.

Compartilhavam tudo, sem dizer. Faziam de um encontro impossível, um choque estrelar, e eu mera observadora, só era ofuscada pelo sonho de querer algo assim para mim tambem. Desde então, tenho cumprido as regras, feito todo bom e necessário à espera de alguem realmente especial. Mas por hora, deleito-me apenas em falar da camada mais límpida, insípida e incolor que eu jamais pude ter para mim.




1 de ago. de 2010

Desafiando a gravidade

Com as mãos livres vou escrevendo desejos que por dias vem sendo raros dentro de mim. Não sou mais tão competente em descrever como o céu parece-me claro e revigorante, ou como o vento, por vezes, parece ter sabor de vida. Acredite, estou em colapso. Algo me falta. Talvez seja o tempo insuficiente, que voa e nada muda. Ou quem sabe, apenas a sensação insossa do corpo fechado. Não sou mais tão leve. Sou densa.

As regras do jogo não parecem ter sido feitas por mim. Mas estou aceitando os limites porque alguem me disse que era assim que deveria ser. E apesar de não suportar apostas, sei que joguei todas as cartas na esperança de acertar alguma, e receber o grande bônus de desafiar a gravidade. Permita-me, então, pular de cabeça. Mas não espere que eu vá de olhos fechados, porque desejo ver a queda, saber exatamente onde estou caindo. Esse é o maior desafio.

A verdade, meus caros, é dura e cruel. Sempre foi assim, o vencedor leva tudo e o perdedor apenas um aperto de mão.


Participem do Postagem Coletiva! Novo tema para o dia (04/08).
9 de jun. de 2010

Bela rosa

Uma flor viveja num jardim. Seco. É meio de verão, e o sol já não mais escaldava coisa alguma, devido ao descampado que se formara. Vazio. Ela é a unica rosa, esplêndida e exuberante que persiste sobre o inexsistente. Teus olhos, assim, quase que sem escolha, se enchem de vontade e uma vida sem aquela rosa vermelha, você já não conseguia imaginar.

Se houvesse a possibilidade daquele jardim ressurgir, ali estava a bela que o faria. Esperança certa da vida. Quantas seriam as rosas que brotariam das felicidades daquela precursora da vontade de viver, do brilho, da cor. Mas você mal pensou.

Anda acostumado a ser molde, e não a si moldar - entendo - e não pensou que agora era responsável por uma vida que lhe pertencia. Esta agora seria tão sua quanto a sua própria. Ela expulsou os seus espinhos, meu caro. E você mal percebeu que aquele botão desabrochou para você. Não, claro que não percebeu. Só queria tê-la as mãos e bem, ao que parece, você conseguiu.


2 de jun. de 2010

O que você quer ouvir

Era tarde boa, fresca. Você me olhava com aquele seu olhar perdido, como se estivesse procurando por algo que eu tinha certeza que poderia te dar, só não sabia como. Meu viver retilíneo sempre foi ponto seguro das coisas que eu nunca quis dizer. Era como estar no baixo olhando você com os olhos virados para cima, consciente da distância segura que nos separava.

- Por que você me quer assim tão longe? - Ele falou me olhando bem nos olhos. - Por que não deixa eu me aproximar de você?

- Não está feliz? - desviei o olhar - Estamos sendo casuais, deixando fluir. Esse sempre foi o grande segredo dos bons relacionamentos, não!? Ir deixando acontecer..

- É só que é como se existisse uma barreira entre nós. Invísivel, já que muitas vezes eu próprio a esqueço, mas muito espessa, porque as minhas tentativas de atravessa-la são sempre vãs.

- Então, talvez... - falhei a voz por um instante - seja a hora ir.

- Não foi o que eu quis dizer.

- Mas foi assim que eu entendi, e isso por si já basta. - então fui.

Agora, ando precisando de uma nova história que saia de dentro do meu peito. Minha vida parece vazia e sem propósito, de sentimentos clichês e farças que nem eu controlo mais. Venho andando à beira de um precipicio porque esse, é agora, o lugar mais alto para alcançar o céu. Mas os meus segredos continuam sendo só meus, porque por mais fácil que seja estar com você, não tenho coragem de dizê-los assim. Tenho medo de cair nua aos olhos alheios.

Então você vai chegar amanhã para mim, fazer a chuva parar de bater na janela e me dizer para parar. Eu vou aceitar seus braços contudo continuarei indo, porque estou me esvaindo por vontade de estar contido e não conseguir dizer tudo o que você quer ouvir.

Pauta para o Postagem Coletiva
30 de mai. de 2010

A ela dou o final feliz

Eu vou dar a ela seu melhor vestido preto e uma noite de céu escuro, manchado com o brilho mais prateado das estrelas. Colocarei "See You Soon"do Coldplay para tocar, lhe darei o olhar mais tímido e doce que o momento exige e aproximarei seus corpos fazendo a mágica acontecer. Espere. Ele irá agarrar a sua sintura e dizer o quanto parece bonita. Você tentará evitar o olhar, mas ele lhe pegará pelo queixo, vocês se olharão por segundos incontáveis e então acontecerá. Um beijo.

Vocês explodem sonhos abaixo, gritos silenciosos fogem de seus olhares e pensar se torna segundo plano, superado pelo amor. Vocês, agora, estão desfrutando de aventuras amorosas, tolas e sem sentido. É apenas um sentimento que lhe toma o mundo das mãos e lhe dá como posse o coração dele. Você aceita porque quer correr todos os ricos, e eu te darei todo o mel do mundo para ser feliz.

Porque a você minha cara, moverei montanhas para encontrar o avassalado sentimento que lhe toma as entranhas. Eu tenho esse poder, logo que crio-te. Já a mim, só resta estar à deriva do destino ou das oportunidades, chame como perferir, ambos me fazem ter que esperar. Simplismente acontecem.


*Gente, eu sou a nova moderadora do
Postagem Coletiva, estamos com tema novo. PARTICIPEM!
26 de mai. de 2010

Solto e inexplicável

Menina como teu rosto cintila sob o escuro que carregas nas costas. Sei que este parece comentário maldoso de alguem que não tem o que dizer em horas dificeis. Mas veja que talvez esse seja o fato que impede a nossa conversa de prosseguir. Gostaria que esperasse menos das visões sonhadas dentro de ti, porque veja, por mais clichê que pareça, na vida planos são mera utopia. Dificilmente tem efeito sobre essa realida meio cinza e furta-cor que te envolve.

Sei que isso lhe parece difícil, mas talvez se olhar para espelho perceba como se transformou. Aquele teu sorriso largo de estrelas, agora só aparece à meia lua, convenientemente em momentos adequados. Seus olhos de gude, a coisa mais linda de ti, mirraram diante dos trancos da vida e você desceu barranco a fundo, querendo sair do corpo já tão doído por dentro.

Agora as coisas não fazem sentido. Você não passa de pontos soltos no papel, eu sei. Mas um dia, talvez esses pontos se liguem por linhas curvas, retas, quem sabe até espirais e você perceba que linda imagem é a sua vida. Bem, ou talvez você só chegue a conclusão de que a vida é, de fato, formada de pontos soltos inexplicáveis, sem próposito e afins. Apenas pontos de momentos, hora acertos, hora tropeços, hora rotina. Só pontos.
 

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