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30 de jul. de 2011

O preço

Realidade. Palavra mais tola que gosta de aporrinhar os meus sábados barulhentos e os meus domingos de pura preguiça. Fato que traz como consequência minhas semanas maquinárias e de um verdadeiro tédio necessário e maldoso que avisa sobre as verdades do que é viver. Não pense que eu não sei que isso é conversa perdida, palavra jogada fora... Sou PhD em descobrir das maneiras mais tolas que (quase) ninguem se importa. Não que esse "quase" signifique alguma experiência positiva. Está mais para uma ponta de esperança que costumo manter guardada comigo, no caso de uma queda muito brusca do campo áreo dos sonhos, planos e desejos acontecer.

A questão é: como manter a mente sã em meio a tantas falhas do meu , do seu, do nosso... Alguem, por acaso, está pronto para dizer que o sistema falhou, a casa caiu, o barco afundou, o sonho sumiu e, só por acaso, se importar??
1 de jun. de 2011

Vai e vem

Sonhando. Vendo o tempo passar distante, sob fragmentos intocáveis de uma falsa sensação de controle. Nem tudo são estrelas, mas nem só de estrelas vive o céu. Há momentos de nuvens cinzas, brancas e avermelhadas. Outras vezes o céu se veste com um longo e infinito vestido azul esvoaçante e faz questão de se adornar com um sol imenso e amarelo. Outras vezes o céu chora. Fica com tanta raiva que simplesmente decide que vai destruir tudo e despeja toda a sua raiva, só porque quer e pronto. Contudo, logo depois, envergonhado, assume uma multi coloração tímida, de 7 cores belíssimas e pede desculpa, quase como se quisesse sorrir.

As vezes tudo que devemos fazer é nos camuflar, e por favor não confunda o que eu digo com se esconder. Ambos se distinguem entre proteção e covardia, duas palavras que em uma mesma frase, usadas para justificar alguma coisa, não passam de justificativas nulas. Tudo muda. A felicidade não tem cor, cheiro, muito menos toque padrão. Ela é o que é pra mim e pro mundo tudo o que é capaz de ser. E ela muda constantemente, porque tudo muda, o tempo inteiro. Vai e vem, sem pedir permissão.

3 de mar. de 2011

Pertenço aqui, mas sou de lá

O tempo ocupa o corpo. Pior. Distorce a alma em realismo urgente e objetivo, confundindo os sentidos, fazendo dos desejos uma massa desesperada de pressa em realização.

Nunca estive tão urgente como agora estou, ligada ao piloto automático e presa em mim mesma sob horas já desconhecidas. E assim vou, sempre sorrindo e acenando sem sequer saber qual o motivo de tanta euforia alheia, tanta importância desnecessária, tanta preocupação falsa, de tantos medos rasos... A verdade é que me sinto sendo levada por uma onda de perguntas, que parecem me direcionar cada vez mais para um lugar que jurei jamais habitar.

Por vezes, faço parte da inocência. Sempre fui acalmada pelo som doce que ela tem ao tocar meu ouvidos e olhos, sob os meus ideais lunáticos, vistos de um mundo mais louco ainda. Mas a Ismália bem sabia, da dor de se querer demais, de como se é frustrante querer e pertencer a dois mundos tão paralelos e distantes entre si.

Assim, pertenço aqui, mas sou de lá. E o aqui é forte, insistente... Vem me chamando pelo nome, então eu vou e minto. A questão é: para mim mesma ou para ele?
22 de dez. de 2010

Meu Caro,

Não somos mais aqueles de antes e isso me faz lembrar das besteiras mais tolas que conversávamos de mãos datas passando pelo caminho de sempre, tão nosso. Para alguns, talvez fôssemos nada mais do que um casal de namorados. Mentira. Mas quem se importa? Naquele momento, nós nos pertencíamos unicamente e intimamente a nós mesmos.

Hoje eu rio da sua incompreensão pelo meu prazer de escrever e suspiro porque mesmo assim você me aceitava por ser tão eu. Na verdade, você me conhecia muito bem. Sabia que meus sorrisos e a leveza que eu tentava passar aos outros, não passavam de um dos pratos da balança para equilibrar o certo peso que eu sempre tive em mim. Ou pelo menos era isso que eu pensava, até a distancia chegar e acabar com tudo.

Talvez você não me aceitasse tão bem, talvez houvesse medo e eu não te culpo por isso. Sei o impacto que é ter como intima, uma pessoa tão... Bem, alguem como eu. Só estou aqui agora, nessa carta, para dizer que respeito a nossa saudade, o nosso silencio, a nossa vergonha. E espero que seja recíproco, porque eu ainda não estou pronto pra aceitar que eu perdi o meu melhor amigo.

ps: Não espero nenhum pedido de desculpa. Isso aqui não passa de palavras e silêncio.


apenas um rascunho de gaveta
e um pedido de desculpa solitário
que nunca foi formalizado..
17 de ago. de 2010

O suficiente para ser

Com sua roupa mais velha e o seu cabelo mais bagunçado, ele sentou-se sobre os degraus solitários daquela velha casa na qual vivia e pegou o seu livro, que por alguns meses havia estado escondido dentro de uma fenda do chão de madeira, já gasto da sua varanda. Este tinha uma capa preta meio surrada, caligrafada com algumas letras douradas, que o tempo se encarregou de borrar e deixa-las ilegíveis.

Durante algum tempo permaneceu sentado, imóvel, contemplando o seu livro fechado. Ao julgar pelo vazio dos seus olhos, acredito que lembranças estavam sendo recordadas e postas em um presente que ele próprio parecia não fazer parte, renega-se talvez. Ou quem sabe, só estava ali olhando para o nada, o que é bem provável, já que eu o havia pego diversas vezes assim. Finalmente resolveu o abrir e para meu espanto as páginas estavam todas em branco. Segurei um suspiro abafado para que ele não desconfiasse da minha presença ali, quase que sem propósito nenhum, apoiada em um cerca e com um livro na mão. Hão de concordar, portanto, com o meu desapontamento e o gasto desnecessário da minha atenção em algo tão sem sentido. Eu poderia ter avançado mais um capítulo de Clara dos Anjos, mas ao contrário disso, decidi observar um velho coitado folheando incessantimente seu livro vazio.

Em um impulso desnecessário, e um interesse fora do normal em algo que não era da minha conta, levantei-me - sem me preocupar o quão sujo estava o meu vestido floral - e fui decida e pronta para perguntar qual era o problema daquele cara e o que ele achava que estava lendo em um livro em branco. Eu me coloquei de pé na sua frente e quando estava abrindo a minha boca para começar o meu falatório, ele levantou seu olhar, me olhou nos olhos e disse:

- Engraçado como depois de 50 anos de vida, não consegui escrever uma única só palavra sobre mim. Mais estranho que isso, é o fato deprimente e algumas vezes consolador de que não sou o único. - pausou enquanto eu sentava ao seu lado. - Se eu te perguntasse qual foi o dia mais feliz da sua vida, será que você me responderia algo suficientimente maravilhoso e satisfatório? Algo que não precisasse se comparado com os seus dias mais tristes para se tornar algo especial? Pois é, é como eu sempre digo: Não importa o quanto você faça e viva, tudo nunca é o suficiente.
6 de ago. de 2010

Enquanto tudo é o que é

Respiro, levanto e sorrio o mais doce sorriso que me ponho em face. Se o que vivo agora se chama presente, há de haver alguma surpresa a ser tirada daqui. Isso é tudo o que me sobra, afinal, já que o futuro exala mistério e o passado aspira lembranças que não voltam mais.

"É difícil dizer que eu prefiro ficar acordado
quando estou dormindo.
Porque tudo nunca é como parece ser."
[Fireflies - Owl City]
1 de ago. de 2010

Desafiando a gravidade

Com as mãos livres vou escrevendo desejos que por dias vem sendo raros dentro de mim. Não sou mais tão competente em descrever como o céu parece-me claro e revigorante, ou como o vento, por vezes, parece ter sabor de vida. Acredite, estou em colapso. Algo me falta. Talvez seja o tempo insuficiente, que voa e nada muda. Ou quem sabe, apenas a sensação insossa do corpo fechado. Não sou mais tão leve. Sou densa.

As regras do jogo não parecem ter sido feitas por mim. Mas estou aceitando os limites porque alguem me disse que era assim que deveria ser. E apesar de não suportar apostas, sei que joguei todas as cartas na esperança de acertar alguma, e receber o grande bônus de desafiar a gravidade. Permita-me, então, pular de cabeça. Mas não espere que eu vá de olhos fechados, porque desejo ver a queda, saber exatamente onde estou caindo. Esse é o maior desafio.

A verdade, meus caros, é dura e cruel. Sempre foi assim, o vencedor leva tudo e o perdedor apenas um aperto de mão.


Participem do Postagem Coletiva! Novo tema para o dia (04/08).
21 de jul. de 2010

Cravado

Era dia comum. Uma brisa corria de forma lenta, mas extremamente viva, se fazendo sentir até pelas faces mais insensíveis. O sol ocultava-se por detrás das nuvens rarefeitas que maquiavam o azul desbotado do céu. E eu, sentia cada centímetro do dia, acolhida sob um árvore da rua.

Ao contrário do que se possa imaginar, sua copa não apresentava muitas folhas, tinha uma expressão mirrada, meio amarelada, por outro lado, seu tronco era vistoso, com alguns acúmulos de seiva aqui e ali. Também era bastante largo. Se eu tivesse pensado naquele momento em abraçá-lo, com certeza não conseguiria tocar as mãos.

Porem, logo o meu momento de divagação foi quebrado, quando ao correr os olhos pela árvore, avistei na parte inferior símbolos cravados, que mais tarde conclui serem iniciais. Elas não me pareciam recentes, uma vez que vivemos em tempos onde provas de amor não são mais necessárias. Mas me proporcionaram reflexões tão novas e inusitadas, quanto um livro utópico poderia.

"Quem ama guarda, retrata, canta, escreve, delira, esquece, relembra, gargalha e tem vontade. Rascunha letra escarlate e não deixa para as lembranças o sentimento que se sente ao ver alguem. Porque apesar de se querer provas, o que realmente importa é o que se crava no peito."

E eu cravei isso em mim.
2 de jun. de 2010

O que você quer ouvir

Era tarde boa, fresca. Você me olhava com aquele seu olhar perdido, como se estivesse procurando por algo que eu tinha certeza que poderia te dar, só não sabia como. Meu viver retilíneo sempre foi ponto seguro das coisas que eu nunca quis dizer. Era como estar no baixo olhando você com os olhos virados para cima, consciente da distância segura que nos separava.

- Por que você me quer assim tão longe? - Ele falou me olhando bem nos olhos. - Por que não deixa eu me aproximar de você?

- Não está feliz? - desviei o olhar - Estamos sendo casuais, deixando fluir. Esse sempre foi o grande segredo dos bons relacionamentos, não!? Ir deixando acontecer..

- É só que é como se existisse uma barreira entre nós. Invísivel, já que muitas vezes eu próprio a esqueço, mas muito espessa, porque as minhas tentativas de atravessa-la são sempre vãs.

- Então, talvez... - falhei a voz por um instante - seja a hora ir.

- Não foi o que eu quis dizer.

- Mas foi assim que eu entendi, e isso por si já basta. - então fui.

Agora, ando precisando de uma nova história que saia de dentro do meu peito. Minha vida parece vazia e sem propósito, de sentimentos clichês e farças que nem eu controlo mais. Venho andando à beira de um precipicio porque esse, é agora, o lugar mais alto para alcançar o céu. Mas os meus segredos continuam sendo só meus, porque por mais fácil que seja estar com você, não tenho coragem de dizê-los assim. Tenho medo de cair nua aos olhos alheios.

Então você vai chegar amanhã para mim, fazer a chuva parar de bater na janela e me dizer para parar. Eu vou aceitar seus braços contudo continuarei indo, porque estou me esvaindo por vontade de estar contido e não conseguir dizer tudo o que você quer ouvir.

Pauta para o Postagem Coletiva
30 de mai. de 2010

A ela dou o final feliz

Eu vou dar a ela seu melhor vestido preto e uma noite de céu escuro, manchado com o brilho mais prateado das estrelas. Colocarei "See You Soon"do Coldplay para tocar, lhe darei o olhar mais tímido e doce que o momento exige e aproximarei seus corpos fazendo a mágica acontecer. Espere. Ele irá agarrar a sua sintura e dizer o quanto parece bonita. Você tentará evitar o olhar, mas ele lhe pegará pelo queixo, vocês se olharão por segundos incontáveis e então acontecerá. Um beijo.

Vocês explodem sonhos abaixo, gritos silenciosos fogem de seus olhares e pensar se torna segundo plano, superado pelo amor. Vocês, agora, estão desfrutando de aventuras amorosas, tolas e sem sentido. É apenas um sentimento que lhe toma o mundo das mãos e lhe dá como posse o coração dele. Você aceita porque quer correr todos os ricos, e eu te darei todo o mel do mundo para ser feliz.

Porque a você minha cara, moverei montanhas para encontrar o avassalado sentimento que lhe toma as entranhas. Eu tenho esse poder, logo que crio-te. Já a mim, só resta estar à deriva do destino ou das oportunidades, chame como perferir, ambos me fazem ter que esperar. Simplismente acontecem.


*Gente, eu sou a nova moderadora do
Postagem Coletiva, estamos com tema novo. PARTICIPEM!
 

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