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21 de jul. de 2010

Cravado

Era dia comum. Uma brisa corria de forma lenta, mas extremamente viva, se fazendo sentir até pelas faces mais insensíveis. O sol ocultava-se por detrás das nuvens rarefeitas que maquiavam o azul desbotado do céu. E eu, sentia cada centímetro do dia, acolhida sob um árvore da rua.

Ao contrário do que se possa imaginar, sua copa não apresentava muitas folhas, tinha uma expressão mirrada, meio amarelada, por outro lado, seu tronco era vistoso, com alguns acúmulos de seiva aqui e ali. Também era bastante largo. Se eu tivesse pensado naquele momento em abraçá-lo, com certeza não conseguiria tocar as mãos.

Porem, logo o meu momento de divagação foi quebrado, quando ao correr os olhos pela árvore, avistei na parte inferior símbolos cravados, que mais tarde conclui serem iniciais. Elas não me pareciam recentes, uma vez que vivemos em tempos onde provas de amor não são mais necessárias. Mas me proporcionaram reflexões tão novas e inusitadas, quanto um livro utópico poderia.

"Quem ama guarda, retrata, canta, escreve, delira, esquece, relembra, gargalha e tem vontade. Rascunha letra escarlate e não deixa para as lembranças o sentimento que se sente ao ver alguem. Porque apesar de se querer provas, o que realmente importa é o que se crava no peito."

E eu cravei isso em mim.
9 de jun. de 2010

Bela rosa

Uma flor viveja num jardim. Seco. É meio de verão, e o sol já não mais escaldava coisa alguma, devido ao descampado que se formara. Vazio. Ela é a unica rosa, esplêndida e exuberante que persiste sobre o inexsistente. Teus olhos, assim, quase que sem escolha, se enchem de vontade e uma vida sem aquela rosa vermelha, você já não conseguia imaginar.

Se houvesse a possibilidade daquele jardim ressurgir, ali estava a bela que o faria. Esperança certa da vida. Quantas seriam as rosas que brotariam das felicidades daquela precursora da vontade de viver, do brilho, da cor. Mas você mal pensou.

Anda acostumado a ser molde, e não a si moldar - entendo - e não pensou que agora era responsável por uma vida que lhe pertencia. Esta agora seria tão sua quanto a sua própria. Ela expulsou os seus espinhos, meu caro. E você mal percebeu que aquele botão desabrochou para você. Não, claro que não percebeu. Só queria tê-la as mãos e bem, ao que parece, você conseguiu.


30 de mai. de 2010

A ela dou o final feliz

Eu vou dar a ela seu melhor vestido preto e uma noite de céu escuro, manchado com o brilho mais prateado das estrelas. Colocarei "See You Soon"do Coldplay para tocar, lhe darei o olhar mais tímido e doce que o momento exige e aproximarei seus corpos fazendo a mágica acontecer. Espere. Ele irá agarrar a sua sintura e dizer o quanto parece bonita. Você tentará evitar o olhar, mas ele lhe pegará pelo queixo, vocês se olharão por segundos incontáveis e então acontecerá. Um beijo.

Vocês explodem sonhos abaixo, gritos silenciosos fogem de seus olhares e pensar se torna segundo plano, superado pelo amor. Vocês, agora, estão desfrutando de aventuras amorosas, tolas e sem sentido. É apenas um sentimento que lhe toma o mundo das mãos e lhe dá como posse o coração dele. Você aceita porque quer correr todos os ricos, e eu te darei todo o mel do mundo para ser feliz.

Porque a você minha cara, moverei montanhas para encontrar o avassalado sentimento que lhe toma as entranhas. Eu tenho esse poder, logo que crio-te. Já a mim, só resta estar à deriva do destino ou das oportunidades, chame como perferir, ambos me fazem ter que esperar. Simplismente acontecem.


*Gente, eu sou a nova moderadora do
Postagem Coletiva, estamos com tema novo. PARTICIPEM!
26 de mai. de 2010

Solto e inexplicável

Menina como teu rosto cintila sob o escuro que carregas nas costas. Sei que este parece comentário maldoso de alguem que não tem o que dizer em horas dificeis. Mas veja que talvez esse seja o fato que impede a nossa conversa de prosseguir. Gostaria que esperasse menos das visões sonhadas dentro de ti, porque veja, por mais clichê que pareça, na vida planos são mera utopia. Dificilmente tem efeito sobre essa realida meio cinza e furta-cor que te envolve.

Sei que isso lhe parece difícil, mas talvez se olhar para espelho perceba como se transformou. Aquele teu sorriso largo de estrelas, agora só aparece à meia lua, convenientemente em momentos adequados. Seus olhos de gude, a coisa mais linda de ti, mirraram diante dos trancos da vida e você desceu barranco a fundo, querendo sair do corpo já tão doído por dentro.

Agora as coisas não fazem sentido. Você não passa de pontos soltos no papel, eu sei. Mas um dia, talvez esses pontos se liguem por linhas curvas, retas, quem sabe até espirais e você perceba que linda imagem é a sua vida. Bem, ou talvez você só chegue a conclusão de que a vida é, de fato, formada de pontos soltos inexplicáveis, sem próposito e afins. Apenas pontos de momentos, hora acertos, hora tropeços, hora rotina. Só pontos.
9 de mai. de 2010

Como as estações de fato são

Passei meus olhos um único instante pelo céu, e parecia que havia os perdido entre as nuvens e o brilho azul que as permeava. Não era para ser um dia claro, já que estavamos em julho, contudo meu coração saberia explicar exatamente o porque da estiagem inesperada. Você. O mais piegas dos clichês não poderia ser capaz de justificar o sorriso que se abriu dentro de mim. Foi como mágica. Inesperadamente e inexplicavelmente o céu se abriu e eu... Sorri.

Meu interesse por você havia crescido e a distância entre nós só me fazia querer construir uma ponte que nos ligasse o mais rápido possível. Eu tinha de fazer algo, estabelecer algum contato porque a sensação que eu tinha todos os dias antes de dormir é que eu iria acordar, o ceú estaria cinzento outra vez e você teria ido.

De fato, naquela noite, adormeci. Mas ao contrário dos pensamentos terríveis que me passaram à cabeça outrora, você veio naturalmente como quem não queria nada, seu andar despreocupado nos aproximando. Conversas, risos, conselhos, sol, festas, risos, valores, amor, risos, Bob Marley, mar, céu, por-do-sol, reggae, skate, risos, nós.

Você poderia ao menos ter me avisado. Dado-me algum tipo de sinal de que me decepcionaria, que a nossa fantasia era demais para durar, que nosso risos eram saborosos demais para sua boca. Porque garoto, aquele foi o dia em que você me destruiu. Ver-te ir foi doloroso aos olhos, boca, braços, pernas... Tudo em mim cedia. As borboletas no estômago viraram náusea e era só eu no cinza, chorando no vazio.

O inverno finalmente havia se ido, carregado por você, como as estações de fato são. Passageiras. Só assim eu pude ver a verdade que havia escorrido de nós, quando a consciencia me assumiu o juizo e inesperadamente e inexplicavelmente o céu se abriu e eu... Sorri.


25 de abr. de 2010

Distante

Invejo, agora, os que dormem seus sonos tranquilos e repousam suas cabeças nas nuvens macias dos sonos longínquos. Quem dera eu poder me dar ao luxo de fugir da minha consciência pertubadora, para assim permanecer em um universo paralelo meu. Distante.

Sorrio, agora, para os que injustamente criam uma realidade que não é minha. À aqueles que se sentem no direito de me mostrar um amor moldado por palavras que não se ouvem, por atos que não se veem, por cheiros que não exalam, por toques que não se sentem. Quem dera eu poder respirar o ar que me falta uma só vez. Distante.

Almejo, agora, a leveza das nuvens que flutuam o céu na certeza de algum lugar, já que o destino que me foi dado pesa e me escurece as vistas. É como estar segurando blocos de cimento por uma eternidade, à espera inútil da sua decomposição. Alguns me disseram que não tarda a acontecer, eu espero. Distante.


"Aquela nuvem escura está abaixando.
Me sinto como se estivesse batendo na porta do Céu."
[Knockin' On Heaven's Door - Guns N' Roses]
 

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