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30 de jul. de 2011

O preço

Realidade. Palavra mais tola que gosta de aporrinhar os meus sábados barulhentos e os meus domingos de pura preguiça. Fato que traz como consequência minhas semanas maquinárias e de um verdadeiro tédio necessário e maldoso que avisa sobre as verdades do que é viver. Não pense que eu não sei que isso é conversa perdida, palavra jogada fora... Sou PhD em descobrir das maneiras mais tolas que (quase) ninguem se importa. Não que esse "quase" signifique alguma experiência positiva. Está mais para uma ponta de esperança que costumo manter guardada comigo, no caso de uma queda muito brusca do campo áreo dos sonhos, planos e desejos acontecer.

A questão é: como manter a mente sã em meio a tantas falhas do meu , do seu, do nosso... Alguem, por acaso, está pronto para dizer que o sistema falhou, a casa caiu, o barco afundou, o sonho sumiu e, só por acaso, se importar??
5 de ago. de 2010

Depois da meia-noite

Era uma camada de pura magia a que os envolvia. Límpida, insípida e incolor. Como água, era desse elemento que era feito seu amor. Apesar de por anos, ela ter acreditado que o romance lhe cairia do céu, ele enfim brotou rasteiro, do fundo da terra, tomando terreno e transbordando sobre os poros de cada grão.

O mundo era deveras maldito diante do sintilar que seus toques produziam à céu aberto. Eu poderia ouvir de longe as músicas ambientes que brotavam dos sorrisos daquela menina, e não negaria sequer por um minuto a inveja - por mais pura que fosse - daquela dupla de almas cruzadas. Eles eram pura borbulha de contentamento descontente, e estavam trancafiados dentro de um universo tão íntimo e particular... Eles eram de si próprios e de mais ninguém.

Compartilhavam tudo, sem dizer. Faziam de um encontro impossível, um choque estrelar, e eu mera observadora, só era ofuscada pelo sonho de querer algo assim para mim tambem. Desde então, tenho cumprido as regras, feito todo bom e necessário à espera de alguem realmente especial. Mas por hora, deleito-me apenas em falar da camada mais límpida, insípida e incolor que eu jamais pude ter para mim.




9 de jun. de 2010

Bela rosa

Uma flor viveja num jardim. Seco. É meio de verão, e o sol já não mais escaldava coisa alguma, devido ao descampado que se formara. Vazio. Ela é a unica rosa, esplêndida e exuberante que persiste sobre o inexsistente. Teus olhos, assim, quase que sem escolha, se enchem de vontade e uma vida sem aquela rosa vermelha, você já não conseguia imaginar.

Se houvesse a possibilidade daquele jardim ressurgir, ali estava a bela que o faria. Esperança certa da vida. Quantas seriam as rosas que brotariam das felicidades daquela precursora da vontade de viver, do brilho, da cor. Mas você mal pensou.

Anda acostumado a ser molde, e não a si moldar - entendo - e não pensou que agora era responsável por uma vida que lhe pertencia. Esta agora seria tão sua quanto a sua própria. Ela expulsou os seus espinhos, meu caro. E você mal percebeu que aquele botão desabrochou para você. Não, claro que não percebeu. Só queria tê-la as mãos e bem, ao que parece, você conseguiu.


2 de jun. de 2010

O que você quer ouvir

Era tarde boa, fresca. Você me olhava com aquele seu olhar perdido, como se estivesse procurando por algo que eu tinha certeza que poderia te dar, só não sabia como. Meu viver retilíneo sempre foi ponto seguro das coisas que eu nunca quis dizer. Era como estar no baixo olhando você com os olhos virados para cima, consciente da distância segura que nos separava.

- Por que você me quer assim tão longe? - Ele falou me olhando bem nos olhos. - Por que não deixa eu me aproximar de você?

- Não está feliz? - desviei o olhar - Estamos sendo casuais, deixando fluir. Esse sempre foi o grande segredo dos bons relacionamentos, não!? Ir deixando acontecer..

- É só que é como se existisse uma barreira entre nós. Invísivel, já que muitas vezes eu próprio a esqueço, mas muito espessa, porque as minhas tentativas de atravessa-la são sempre vãs.

- Então, talvez... - falhei a voz por um instante - seja a hora ir.

- Não foi o que eu quis dizer.

- Mas foi assim que eu entendi, e isso por si já basta. - então fui.

Agora, ando precisando de uma nova história que saia de dentro do meu peito. Minha vida parece vazia e sem propósito, de sentimentos clichês e farças que nem eu controlo mais. Venho andando à beira de um precipicio porque esse, é agora, o lugar mais alto para alcançar o céu. Mas os meus segredos continuam sendo só meus, porque por mais fácil que seja estar com você, não tenho coragem de dizê-los assim. Tenho medo de cair nua aos olhos alheios.

Então você vai chegar amanhã para mim, fazer a chuva parar de bater na janela e me dizer para parar. Eu vou aceitar seus braços contudo continuarei indo, porque estou me esvaindo por vontade de estar contido e não conseguir dizer tudo o que você quer ouvir.

Pauta para o Postagem Coletiva
9 de mai. de 2010

Como as estações de fato são

Passei meus olhos um único instante pelo céu, e parecia que havia os perdido entre as nuvens e o brilho azul que as permeava. Não era para ser um dia claro, já que estavamos em julho, contudo meu coração saberia explicar exatamente o porque da estiagem inesperada. Você. O mais piegas dos clichês não poderia ser capaz de justificar o sorriso que se abriu dentro de mim. Foi como mágica. Inesperadamente e inexplicavelmente o céu se abriu e eu... Sorri.

Meu interesse por você havia crescido e a distância entre nós só me fazia querer construir uma ponte que nos ligasse o mais rápido possível. Eu tinha de fazer algo, estabelecer algum contato porque a sensação que eu tinha todos os dias antes de dormir é que eu iria acordar, o ceú estaria cinzento outra vez e você teria ido.

De fato, naquela noite, adormeci. Mas ao contrário dos pensamentos terríveis que me passaram à cabeça outrora, você veio naturalmente como quem não queria nada, seu andar despreocupado nos aproximando. Conversas, risos, conselhos, sol, festas, risos, valores, amor, risos, Bob Marley, mar, céu, por-do-sol, reggae, skate, risos, nós.

Você poderia ao menos ter me avisado. Dado-me algum tipo de sinal de que me decepcionaria, que a nossa fantasia era demais para durar, que nosso risos eram saborosos demais para sua boca. Porque garoto, aquele foi o dia em que você me destruiu. Ver-te ir foi doloroso aos olhos, boca, braços, pernas... Tudo em mim cedia. As borboletas no estômago viraram náusea e era só eu no cinza, chorando no vazio.

O inverno finalmente havia se ido, carregado por você, como as estações de fato são. Passageiras. Só assim eu pude ver a verdade que havia escorrido de nós, quando a consciencia me assumiu o juizo e inesperadamente e inexplicavelmente o céu se abriu e eu... Sorri.


 

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