
Era tarde boa, fresca. Você me olhava com aquele seu olhar perdido, como se estivesse procurando por algo que eu tinha certeza que poderia te dar, só não sabia como. Meu viver retilíneo sempre foi ponto seguro das coisas que eu nunca quis dizer. Era como estar no baixo olhando você com os olhos virados para cima, consciente da distância segura que nos separava.
- Por que você me quer assim tão longe? - Ele falou me olhando bem nos olhos. - Por que não deixa eu me aproximar de você?
- Não está feliz? - desviei o olhar - Estamos sendo casuais, deixando fluir. Esse sempre foi o grande segredo dos bons relacionamentos, não!? Ir deixando acontecer..
- É só que é como se existisse uma barreira entre nós. Invísivel, já que muitas vezes eu próprio a esqueço, mas muito espessa, porque as minhas tentativas de atravessa-la são sempre vãs.
- Então, talvez... - falhei a voz por um instante - seja a hora ir.
- Não foi o que eu quis dizer.
- Mas foi assim que eu entendi, e isso por si já basta. - então fui.
Agora, ando precisando de uma nova história que saia de dentro do meu peito. Minha vida parece vazia e sem propósito, de sentimentos clichês e farças que nem eu controlo mais. Venho andando à beira de um precipicio porque esse, é agora, o lugar mais alto para alcançar o céu. Mas os meus segredos continuam sendo só meus, porque por mais fácil que seja estar com você, não tenho coragem de dizê-los assim. Tenho medo de cair nua aos olhos alheios.
Então você vai chegar amanhã para mim, fazer a chuva parar de bater na janela e me dizer para parar. Eu vou aceitar seus braços contudo continuarei indo, porque estou me esvaindo por vontade de estar contido e não conseguir dizer tudo o que você quer ouvir.
Então você vai chegar amanhã para mim, fazer a chuva parar de bater na janela e me dizer para parar. Eu vou aceitar seus braços contudo continuarei indo, porque estou me esvaindo por vontade de estar contido e não conseguir dizer tudo o que você quer ouvir.
Pauta para o Postagem Coletiva

