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30 de jul. de 2011

O preço

Realidade. Palavra mais tola que gosta de aporrinhar os meus sábados barulhentos e os meus domingos de pura preguiça. Fato que traz como consequência minhas semanas maquinárias e de um verdadeiro tédio necessário e maldoso que avisa sobre as verdades do que é viver. Não pense que eu não sei que isso é conversa perdida, palavra jogada fora... Sou PhD em descobrir das maneiras mais tolas que (quase) ninguem se importa. Não que esse "quase" signifique alguma experiência positiva. Está mais para uma ponta de esperança que costumo manter guardada comigo, no caso de uma queda muito brusca do campo áreo dos sonhos, planos e desejos acontecer.

A questão é: como manter a mente sã em meio a tantas falhas do meu , do seu, do nosso... Alguem, por acaso, está pronto para dizer que o sistema falhou, a casa caiu, o barco afundou, o sonho sumiu e, só por acaso, se importar??
3 de mar. de 2011

Pertenço aqui, mas sou de lá

O tempo ocupa o corpo. Pior. Distorce a alma em realismo urgente e objetivo, confundindo os sentidos, fazendo dos desejos uma massa desesperada de pressa em realização.

Nunca estive tão urgente como agora estou, ligada ao piloto automático e presa em mim mesma sob horas já desconhecidas. E assim vou, sempre sorrindo e acenando sem sequer saber qual o motivo de tanta euforia alheia, tanta importância desnecessária, tanta preocupação falsa, de tantos medos rasos... A verdade é que me sinto sendo levada por uma onda de perguntas, que parecem me direcionar cada vez mais para um lugar que jurei jamais habitar.

Por vezes, faço parte da inocência. Sempre fui acalmada pelo som doce que ela tem ao tocar meu ouvidos e olhos, sob os meus ideais lunáticos, vistos de um mundo mais louco ainda. Mas a Ismália bem sabia, da dor de se querer demais, de como se é frustrante querer e pertencer a dois mundos tão paralelos e distantes entre si.

Assim, pertenço aqui, mas sou de lá. E o aqui é forte, insistente... Vem me chamando pelo nome, então eu vou e minto. A questão é: para mim mesma ou para ele?
1 de ago. de 2010

Desafiando a gravidade

Com as mãos livres vou escrevendo desejos que por dias vem sendo raros dentro de mim. Não sou mais tão competente em descrever como o céu parece-me claro e revigorante, ou como o vento, por vezes, parece ter sabor de vida. Acredite, estou em colapso. Algo me falta. Talvez seja o tempo insuficiente, que voa e nada muda. Ou quem sabe, apenas a sensação insossa do corpo fechado. Não sou mais tão leve. Sou densa.

As regras do jogo não parecem ter sido feitas por mim. Mas estou aceitando os limites porque alguem me disse que era assim que deveria ser. E apesar de não suportar apostas, sei que joguei todas as cartas na esperança de acertar alguma, e receber o grande bônus de desafiar a gravidade. Permita-me, então, pular de cabeça. Mas não espere que eu vá de olhos fechados, porque desejo ver a queda, saber exatamente onde estou caindo. Esse é o maior desafio.

A verdade, meus caros, é dura e cruel. Sempre foi assim, o vencedor leva tudo e o perdedor apenas um aperto de mão.


Participem do Postagem Coletiva! Novo tema para o dia (04/08).
21 de jul. de 2010

Cravado

Era dia comum. Uma brisa corria de forma lenta, mas extremamente viva, se fazendo sentir até pelas faces mais insensíveis. O sol ocultava-se por detrás das nuvens rarefeitas que maquiavam o azul desbotado do céu. E eu, sentia cada centímetro do dia, acolhida sob um árvore da rua.

Ao contrário do que se possa imaginar, sua copa não apresentava muitas folhas, tinha uma expressão mirrada, meio amarelada, por outro lado, seu tronco era vistoso, com alguns acúmulos de seiva aqui e ali. Também era bastante largo. Se eu tivesse pensado naquele momento em abraçá-lo, com certeza não conseguiria tocar as mãos.

Porem, logo o meu momento de divagação foi quebrado, quando ao correr os olhos pela árvore, avistei na parte inferior símbolos cravados, que mais tarde conclui serem iniciais. Elas não me pareciam recentes, uma vez que vivemos em tempos onde provas de amor não são mais necessárias. Mas me proporcionaram reflexões tão novas e inusitadas, quanto um livro utópico poderia.

"Quem ama guarda, retrata, canta, escreve, delira, esquece, relembra, gargalha e tem vontade. Rascunha letra escarlate e não deixa para as lembranças o sentimento que se sente ao ver alguem. Porque apesar de se querer provas, o que realmente importa é o que se crava no peito."

E eu cravei isso em mim.
9 de jun. de 2010

Bela rosa

Uma flor viveja num jardim. Seco. É meio de verão, e o sol já não mais escaldava coisa alguma, devido ao descampado que se formara. Vazio. Ela é a unica rosa, esplêndida e exuberante que persiste sobre o inexsistente. Teus olhos, assim, quase que sem escolha, se enchem de vontade e uma vida sem aquela rosa vermelha, você já não conseguia imaginar.

Se houvesse a possibilidade daquele jardim ressurgir, ali estava a bela que o faria. Esperança certa da vida. Quantas seriam as rosas que brotariam das felicidades daquela precursora da vontade de viver, do brilho, da cor. Mas você mal pensou.

Anda acostumado a ser molde, e não a si moldar - entendo - e não pensou que agora era responsável por uma vida que lhe pertencia. Esta agora seria tão sua quanto a sua própria. Ela expulsou os seus espinhos, meu caro. E você mal percebeu que aquele botão desabrochou para você. Não, claro que não percebeu. Só queria tê-la as mãos e bem, ao que parece, você conseguiu.


30 de mai. de 2010

A ela dou o final feliz

Eu vou dar a ela seu melhor vestido preto e uma noite de céu escuro, manchado com o brilho mais prateado das estrelas. Colocarei "See You Soon"do Coldplay para tocar, lhe darei o olhar mais tímido e doce que o momento exige e aproximarei seus corpos fazendo a mágica acontecer. Espere. Ele irá agarrar a sua sintura e dizer o quanto parece bonita. Você tentará evitar o olhar, mas ele lhe pegará pelo queixo, vocês se olharão por segundos incontáveis e então acontecerá. Um beijo.

Vocês explodem sonhos abaixo, gritos silenciosos fogem de seus olhares e pensar se torna segundo plano, superado pelo amor. Vocês, agora, estão desfrutando de aventuras amorosas, tolas e sem sentido. É apenas um sentimento que lhe toma o mundo das mãos e lhe dá como posse o coração dele. Você aceita porque quer correr todos os ricos, e eu te darei todo o mel do mundo para ser feliz.

Porque a você minha cara, moverei montanhas para encontrar o avassalado sentimento que lhe toma as entranhas. Eu tenho esse poder, logo que crio-te. Já a mim, só resta estar à deriva do destino ou das oportunidades, chame como perferir, ambos me fazem ter que esperar. Simplismente acontecem.


*Gente, eu sou a nova moderadora do
Postagem Coletiva, estamos com tema novo. PARTICIPEM!
 

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