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8 de out. de 2011

Fugir

Vamos. Logo ali virando aquela esquina existem mistérios que nem as estrelas conseguem enxergar. Vamos. Somos só nós, caminhando de mãos dadas pelas ruas escuras e de sombras sinistras de um futuro louco. Se algo pode nos acontecer? Quem se importa, quando tudo o que nos resta é viver? Já fui pensamentos demais quando tudo que eu devia ter feito era ser. Agora que a necessidade de pensar me toma e me cerca, vejo a oportunidade perfeita de ser em exagero. Vamos. O tempo que passa está logo ali, esperando o momento exato de parar. Eu só preciso de você. Vamos. Desculpa se tudo que eu tenho agora é uma vontade azeda de me libertar. Sempre achei que quando o momento de bater asas fosse chegar o sabor seria um punhado agridoce de desejo e arrepios. Erro meu. Eu e essa minha mania estúpida de me subestimar. Vamos. Não temos nada a perder senão o suor e cada respiração que uma vez postos para fora são irrecuperáveis. Vamos. E sugiro que não falemos absolutamente nada. 

Então vou indo e você pode me seguir com mais cautela, se o medo lhe tomar as batidas do coração. Meu convite já lhe foi feito. Vamos?
14 de out. de 2010

Foi-se. Com satisfação

Então chegou e foi-se como um assopro qualquer, partido de uma boca muito menos importante. Custei a acreditar nessa verdade crua que os meus olhos não queriam enxergar. Pobres olhos. Viram tanto que estão secos, porque uma lágrima sequer derramei. A verdade mesmo é que cansei de procurar problemas em soluções, ter dúvida de como andar em linha reta, acreditar em fábulas baratas, estar contra mim o tempo todo.

Sei que doeu te ver entrar naquela sala gelada indo sentar ao lado dela. Sei tambem que satisfez te ver me olhar com aquele ar de admiração, por assim dizer, fazendo isso bem ao lado dela. Mas a verdade mesmo, é que eu sou maior que isso. Acredite. Hoje sou mais forte. Não melhor, apenas forte. Percebi que nem de longe, você se parece com a moldura perfeita que eu criei para você e que os seus valores são os seus piores defeitos, e Ele sabe bem os motivos de eu dizer isso.

A verdade mesmo é que dessa vez eu acordei no meio da noite, não para bancar a garota fraca e sonhadora, porque agora, exatamente às 1:49 da manhã, eu sou a mais bem resolvida e com o orgulho mais inflado de todos os lugares iluminados por estrelas. Por mais que machuque, de todos os arrependimentos que eu já tive, o de não ter me entregado a você foi o que mais me satisfez. Sei que agora parece fácil e, de certa forma, até rude dizer isso, mas naquele momento eu era pura inquietude. Apenas migalhas de uma garota que a madrugada tratou de endurecer. Eu não estava completa.

Pode até ser que isso dure apenas mais alguns minutos e amanhã eu volte a esse meu eu tímido. Pode até ser que seja apenas mais um devaneio meu. A verdade mesmo, é que bem agora, eu estou seguindo sem olhar para trás. E essa vontade é só minha e de mais ninguem.
1 de ago. de 2010

Desafiando a gravidade

Com as mãos livres vou escrevendo desejos que por dias vem sendo raros dentro de mim. Não sou mais tão competente em descrever como o céu parece-me claro e revigorante, ou como o vento, por vezes, parece ter sabor de vida. Acredite, estou em colapso. Algo me falta. Talvez seja o tempo insuficiente, que voa e nada muda. Ou quem sabe, apenas a sensação insossa do corpo fechado. Não sou mais tão leve. Sou densa.

As regras do jogo não parecem ter sido feitas por mim. Mas estou aceitando os limites porque alguem me disse que era assim que deveria ser. E apesar de não suportar apostas, sei que joguei todas as cartas na esperança de acertar alguma, e receber o grande bônus de desafiar a gravidade. Permita-me, então, pular de cabeça. Mas não espere que eu vá de olhos fechados, porque desejo ver a queda, saber exatamente onde estou caindo. Esse é o maior desafio.

A verdade, meus caros, é dura e cruel. Sempre foi assim, o vencedor leva tudo e o perdedor apenas um aperto de mão.


Participem do Postagem Coletiva! Novo tema para o dia (04/08).
9 de jun. de 2010

Bela rosa

Uma flor viveja num jardim. Seco. É meio de verão, e o sol já não mais escaldava coisa alguma, devido ao descampado que se formara. Vazio. Ela é a unica rosa, esplêndida e exuberante que persiste sobre o inexsistente. Teus olhos, assim, quase que sem escolha, se enchem de vontade e uma vida sem aquela rosa vermelha, você já não conseguia imaginar.

Se houvesse a possibilidade daquele jardim ressurgir, ali estava a bela que o faria. Esperança certa da vida. Quantas seriam as rosas que brotariam das felicidades daquela precursora da vontade de viver, do brilho, da cor. Mas você mal pensou.

Anda acostumado a ser molde, e não a si moldar - entendo - e não pensou que agora era responsável por uma vida que lhe pertencia. Esta agora seria tão sua quanto a sua própria. Ela expulsou os seus espinhos, meu caro. E você mal percebeu que aquele botão desabrochou para você. Não, claro que não percebeu. Só queria tê-la as mãos e bem, ao que parece, você conseguiu.


 

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