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22 de dez. de 2010

Meu Caro,

Não somos mais aqueles de antes e isso me faz lembrar das besteiras mais tolas que conversávamos de mãos datas passando pelo caminho de sempre, tão nosso. Para alguns, talvez fôssemos nada mais do que um casal de namorados. Mentira. Mas quem se importa? Naquele momento, nós nos pertencíamos unicamente e intimamente a nós mesmos.

Hoje eu rio da sua incompreensão pelo meu prazer de escrever e suspiro porque mesmo assim você me aceitava por ser tão eu. Na verdade, você me conhecia muito bem. Sabia que meus sorrisos e a leveza que eu tentava passar aos outros, não passavam de um dos pratos da balança para equilibrar o certo peso que eu sempre tive em mim. Ou pelo menos era isso que eu pensava, até a distancia chegar e acabar com tudo.

Talvez você não me aceitasse tão bem, talvez houvesse medo e eu não te culpo por isso. Sei o impacto que é ter como intima, uma pessoa tão... Bem, alguem como eu. Só estou aqui agora, nessa carta, para dizer que respeito a nossa saudade, o nosso silencio, a nossa vergonha. E espero que seja recíproco, porque eu ainda não estou pronto pra aceitar que eu perdi o meu melhor amigo.

ps: Não espero nenhum pedido de desculpa. Isso aqui não passa de palavras e silêncio.


apenas um rascunho de gaveta
e um pedido de desculpa solitário
que nunca foi formalizado..
 

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