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5 de ago. de 2010

Depois da meia-noite

Era uma camada de pura magia a que os envolvia. Límpida, insípida e incolor. Como água, era desse elemento que era feito seu amor. Apesar de por anos, ela ter acreditado que o romance lhe cairia do céu, ele enfim brotou rasteiro, do fundo da terra, tomando terreno e transbordando sobre os poros de cada grão.

O mundo era deveras maldito diante do sintilar que seus toques produziam à céu aberto. Eu poderia ouvir de longe as músicas ambientes que brotavam dos sorrisos daquela menina, e não negaria sequer por um minuto a inveja - por mais pura que fosse - daquela dupla de almas cruzadas. Eles eram pura borbulha de contentamento descontente, e estavam trancafiados dentro de um universo tão íntimo e particular... Eles eram de si próprios e de mais ninguém.

Compartilhavam tudo, sem dizer. Faziam de um encontro impossível, um choque estrelar, e eu mera observadora, só era ofuscada pelo sonho de querer algo assim para mim tambem. Desde então, tenho cumprido as regras, feito todo bom e necessário à espera de alguem realmente especial. Mas por hora, deleito-me apenas em falar da camada mais límpida, insípida e incolor que eu jamais pude ter para mim.




9 de jun. de 2010

Bela rosa

Uma flor viveja num jardim. Seco. É meio de verão, e o sol já não mais escaldava coisa alguma, devido ao descampado que se formara. Vazio. Ela é a unica rosa, esplêndida e exuberante que persiste sobre o inexsistente. Teus olhos, assim, quase que sem escolha, se enchem de vontade e uma vida sem aquela rosa vermelha, você já não conseguia imaginar.

Se houvesse a possibilidade daquele jardim ressurgir, ali estava a bela que o faria. Esperança certa da vida. Quantas seriam as rosas que brotariam das felicidades daquela precursora da vontade de viver, do brilho, da cor. Mas você mal pensou.

Anda acostumado a ser molde, e não a si moldar - entendo - e não pensou que agora era responsável por uma vida que lhe pertencia. Esta agora seria tão sua quanto a sua própria. Ela expulsou os seus espinhos, meu caro. E você mal percebeu que aquele botão desabrochou para você. Não, claro que não percebeu. Só queria tê-la as mãos e bem, ao que parece, você conseguiu.


 

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